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Desde: 06/12/2001      Publicadas: 4183      Atualização: 26/09/2007

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 UniFIAM FAAM DIGITAL

  02/08/2007
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UNIVERSITÁRIOS DE LIVROS FECHADOS

Professores universitários de Língua Portuguesa confirmam: a falta de hábito de leitura entre os jovens universitários brasileiros - revelada em pesquisas encomendadas, recentemente, pelo Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) - é realidade.

UNIVERSITÁRIOS DE LIVROS FECHADOS
Segundo essas pesquisas, 34% dos estudantes de nível superior de São Paulo não lêem com freqüência e, entre os graduandos cariocas, 15% afirmam nunca terem lido um livro não didático. Para professores de universidades públicas e privadas do Rio de Janeiro, a origem desses dados alarmantes pode estar no

pouco contato que os jovens têm com os livros na infância, associado, em parte, à forte presença da internet no seu dia-a-dia. Para o professor Afrânio Garcia, coordenador da Pós-Graduação em Língua Portuguesa da Faculdade de Formação de Professores da Uerj, os universitários, hoje em dia, realmente têm lido muito pouco. Invertendo a estimativa da pesquisa, ele afirma.

"Basicamente, os alunos ainda continuam somente lendo o que o professor manda. Existem vários alunos, digamos uns 15%, que lêem bastante, quatro ou mais livros por ano, além dos recomendados. E há outros que só lêem à força: se a leitura implicar em prova ou nota." Para Garcia, o motivo desse desinteresse pela leitura se deve à falta de incentivo dos pais e à deficiência da educação básica. "O fato de a escola ter ficado mais permissiva não fez bem.

Hoje em dia, o ensino básico está se contentando com o mínimo. No lugar de textos literários, muitas vezes são dadas listas, anúncios, embalagens para os alunos lerem nas escolas. Isso é um empobrecimento," opinou.

Os livros perderam espaço para a internet

Outra razão apontada pelos professores tem sido a internet, que, se desvia o jovem dos livros, por um lado, pode ser transformada em uma ferramenta de incentivo à leitura e de auxílio à educação, por outro. Na opinião do professor Edson Sendin, da Universidade Gama Filho e da Fioduc, a Internet é uma das grandes vilãs do processo educacional nos dias de hoje, devido à pobreza do vocabulário que é utilizado na rede. "A Internet até é um meio de comunicação que utiliza palavras, mas nota-se muita repetição, muitos sinais novos chegando, fazendo uma nova semiótica," diz. O professor Adriano Dias, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Duque de Caxias (Fioduc), ainda vai além: "O aluno médio, hoje em dia, consegue se destacar. Infelizmente é uma porcentagem muito pequena de alunos que têm um conhecimento mais profundo." Ele também vê a internet como um instrumento que afasta o jovem do livro e da informação de boa qualidade. Para ele, o jovem acaba só buscando informações que não levam a um maior crescimento no meio acadêmico. Contudo, o educador esclarece que é possível utilizar a rede de computadores como ferramenta pedagógica, porém com cuidado. "A Internet pode ser uma excelente fonte secundária de informações, mas a fonte primária tem que continuar sendo o livro. Ele é insubstituível. É muito importante que o aluno tenha contato com o livro, para que ele tenha uma formação bem consolidada, e não simplesmente copie e cole as informações da Web."

A escritora de livros infanto-juvenis e professora da Universidade Santa Úrsula, Raquel Naveira, concorda. "O hábito de leitura é formado durante a infância e o início da adolescência. Se, nesses momentos, a pessoa não tem uma abertura para a leitura, é muito difícil ela se tornar uma boa leitora no futuro. Por isso, as políticas públicas, nesse sentido, devem ser direcionadas a essa base."

Os computadores não só vistos como vilões

Já Afrânio Garcia e Raquel Naveira encaram a internet como uma excelente ferramenta para auxiliar a educação - desde que utilizada de forma planejada. Garcia acredita que os professores deveriam ser treinados a escolher as melhores páginas relativas aos temas trabalhados para indicá-las aos alunos, prática que ele mesmo adota em sala de aula. "Se o professor simplesmente pedir para os alunos pesquisarem um tema na internet, corre o risco de eles ficarem perdidos no meio de tanta informação e copiarem qualquer coisa de qualquer lugar - o que não é produtivo. Agora, em casa, o aluno tem a liberdade de pesquisar o que quiser," explica. Quanto a Raquel Naveira, a preocupação é outra. Para ela, a internet, apesar de também trabalhar com a leitura e a escrita, deixa o conhecimento do estudante sem muita unidade, pois as informações estão fragmentadas. Por isso, seria preciso sistematizá-las em sala de aula, através de debates, comentários do professor e anotações feitas pelos alunos. "É preciso, sim, utilizar mídias novas em sala de aula. Mas depois da pesquisa deve vir um comentário geral, para que o aluno se aposse do conteúdo. O professor também precisa estar preparado para lançar as perguntas e direcionar as discussões," explica.

Prejuízos para formação podem ser grandes

O professor Afrânio Garcia ainda frisou que a falta de um hábito de leitura consolidado pode causar prejuízos aos jovens não só na sua formação superior, mas também no mercado de trabalho. "Numa universidade que exija pouco de seus alunos, o professor pode até aprová-los, mesmo sem que eles tenham atingido um nível satisfatório, talvez para não se indispor com a direção. Mas dificilmente esses alunos vão conseguir se encaixar no mercado de trabalho de nível universitário, pois eles não conseguem dar respostas condizentes com seu estágio de formação," explica. Segundo Garcia, uma pessoa que não se acostuma a ler também não se acostuma a interpretar, seja qual for a carreira que escolha ou o tipo de texto com o qual entre em contato. Conseqüentemente, essa pessoa teria uma enorme dificuldade de transmitir suas idéias de uma forma clara e compreensível, o que prejudicaria o relacionamento no ambiente de trabalho. "Em todos os empregos universitários, a relação entre os profissionais fica muito prejudicada por essa dificuldade de interpretação do que é dito e de produção de um texto inteligível e coeso, que poderia ser adquirido com boa leitura," afirma.

Professores indicam possíveis soluções

Mas nem tudo está perdido. Não faltaram, por parte dos professores entrevistados, sugestões de soluções para o problema da falta de leitura, a serem implementadas no ensino básico, a fim de reverter a situação. Mas, mesmo para os estudantes que não foram incentivados desde cedo e chegaram à universidade sem ter desenvolvido o costume de ler, ainda não é tarde. Algumas atividades simples podem ser implementadas pelos professores - e não só os de Língua Portuguesa - na tentativa de aproximar os estudantes dos livros. É o caso do professor Edson Sendin, que escreve textos curtos para trabalhar com seus alunos a cada aula e separa fragmentos de livros literários para localizá-los e estudá-los no conjunto da obra do autor. "Uma página, duas páginas, até três páginas alguns lêem. Se você coloca uma folha na copiadora, a maioria da turma lê. Duas folhas, já diminui o número de leitores. Três folhas, diminui mais ainda. Quanto mais folhas você passa para dar o recado, menor a quantidade de leitores. Então, eu, agora, tenho me condicionado a escrever uma folhinha para cada aula, e tem dado um bom resultado. Eles têm lido." Afrânio Garcia sugere um método implementado pelo professor Deonísio Silva, da Universidade Estácio de Sá. Em qualquer disciplina, o professor pode impor um livro de literatura brasileira, desvinculado da matéria que é dada, sobre o qual o aluno deverá fazer um trabalho ao final do semestre. Então, além da avaliação referente à disciplina, o estudante ganharia um determinado número de pontos pelo trabalho do livro. Garcia acredita que os resultados são bons, e que a obrigação da leitura é uma maneira eficaz de iniciar um universitário nesse hábito. "A imposição acaba sendo inevitável. Não adianta simplesmente recomendar um livro para alguém que nunca lê, porque a pessoa não vai ler," explica ele.

Leitura adotada como disciplina

Outra sugestão de Garcia é a criação de uma disciplina de leitura nas faculdades. "Assim como a Filosofia é uma matéria obrigatória e normalmente desvinculada dos cursos, a matéria de leitura também poderia ser. Nela, os alunos seriam obrigados a ler e a responder questões de interpretação do texto. Isso causaria um impacto positivo, já que estamos vivendo um momento de decadência da produção e da interpretação de texto na universidade."

Ações como as listadas acima seriam desnecessárias caso o incentivo ao hábito da leitura fosse bem feito desde os primeiros anos escolares. Para Raquel Naveira, hoje em dia já existe uma consciência dos professores de ensino básico de que a leitura precisa ser incentivada em sala de aula. Para isso, podem ser promovidas algumas atividades simples, como cirandas de leitura, contação de histórias, leitura de bons textos em voz alta, podendo haver dramatizações e leitura de poemas, mostrando-se o ritmo e a entonação do texto. Comentários, críticas e discussões também devem ter espaço. "Não adianta apenas ser um ledor, é preciso ser um leitor. E o leitor é aquele que consegue interpretar e retransmitir aquilo que leu," comenta.

Fonte: Folha Dirigida




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