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Desde: 06/12/2001      Publicadas: 4182      Atualização: 26/09/2007

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  26/09/2007
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UMA VIDA DANTESCA

A força de vontade de Cassiano Oliveira, catador de entulhos que encontrou no lixo uma forma de sobreviver e escapar do inferno

UMA VIDA DANTESCA

*João Luiz D"Andrea

Cassiano Oliveira é um batalhador da vida, pela própria vida. Nasceu em Formosa, Goiás e vive no submundo solitário de São Paulo há 21 anos. Solitário, afinal a maioria das pessoas com quem ele sempre se envolveu na metrópole nada significaram, apenas drogados, largados, sem perspectiva alguma de vida. Não que Cassiano seja de difícil relacionamento, chato, um cara fechado, ou que não sabe escolher seus amigos, muito pelo contrário. É que é realmente necessário ser um verdadeiro morador de rua, ou ter vivido em algumas delas, para saber como são as pessoas que "sobrevivem" nessa triste realidade. Oliveira sobrevive catando papel, latas e todo tipo de entulho para vender.
Mas essa história não começa aí. Obviamente ela tem início a partir do nascimento de Cassiano. E o começo da vida do nosso protagonista é um drama. Segundo ele, o seu parto teve alguns contratempos e exigiu muita habilidade dos médicos, já que Cassiano nasceu com 7 meses e meio de gestação. E quem acha que as dificuldades acabam aí, está muito enganado. "Eu nasci, e nos primeiros meses me alimentei através do leite materno. Só que minha mãe trabalhava muito e comia pouco. Por isso, depois de pouco tempo a produção de leite da minha mãe acabou."

A partir daí, nosso herói (vocês entenderão o porquê do "herói" no decorrer da história) passou a ser alimentado com o pouco que sua mãe conseguia para as refeições do garoto. Pão mastigado e leite. Isso mesmo, pão mastigado pela sua própria procriadora. Essa, faminta com o pouco de comida que a família possuía, mastigava pão para o filho que nem dente ainda tinha. Além desse pão, ela também mastigava aquele que o diabo amassou. "Minha mãe trabalhava capinando junto com meu pai. Deixava-me com um vizinho aposentado da fazenda em que morávamos. Mas pegava duas horas de estrada na metade do dia indo e voltando pra casa, apenas pra me amamentar".

E se esse não é um bom motivo para considerar que sua mãe, Vanda Luisa Oliveira, comia pão amassado pelo demônio, é porque ainda não expliquei toda essa parte. Vanda além de viajar 4 horas por dia, pra ir e voltar duas vezes do emprego, resolveu aumentar suas horas de trabalho para poder comprar medicamentos, comida e roupas para o filho e ainda sustentar mais o primogênito e o marido. Mas ninguém ajudava a coitada? Não!

O Inferno e o diabo

E é aí que entra o diabo, ou melhor, o pai de Cassiano. Esse era o verdadeiro senhor das trevas em pessoa. Ele jamais ajudou com as economias da família, era mais importante comprar cachaça. Pior em não querer ajudar, eram as atitudes que o pai, Odair Oliveira, tomava quando chegava em casa. Cassiano e seu irmão nunca souberam ao certo a idade de seu pai e nunca se atreveram a perguntar, mas sempre tiveram a imagem de que fosse velho, bem mais velho que sua mãe. E obviamente que o velho era sempre o último a chegar em casa e quando não dormia largado na rua bêbado, entrava em casa já batendo na mulher e nos filho. Irritado com o pouco de comida na casa, transformava sua fome e provavelmente problemas que trazia da rua, em porrada e pancadaria.

"Meu pai era um bruto. Infelizmente a primeira e última imagem que tenho dele são os punhos nos meus olhos. O resto eu não recordo. Simplesmente apagou da minha memória". Triste lembrança do próprio pai. Mas por um lado, não é tão ruim assim. Segundo seu único e mais velho irmão, Cariano, ele tem muita sorte em se recordar apenas dessas imagens, talvez o seu próprio inconsciente tenha apagado aquelas cenas para não abalar seu psicológico.

Os minutos de raiva do velho eram infinitamente piores que as lembranças de Cassiano. Cinta de couro, daquelas que se amarravam em bois antigamente ou como ainda fazem até hoje pelos interiores pobres do Brasil, virava arma nas mãos daquele que deveria ser o maior exemplo na casa.

O irmão Cariano, não confundam os nomes, mas como é perceptível, essa história é tão melancólica que até a criatividade fugiu na hora do batismo, conta com lágrimas nos olhos as lembranças daqueles tempos de sofrimento. "Ah, eu odiava meu pai. Não experimentei nenhum pouco do amor de filho. Ele me batia, ficava "feliz" quando me espancava. Mas pelo menos, enquanto me enchia de porrada meu irmão mais novo e minha mãe não eram judiados naqueles instantes".

A arma utilizada para as desancadas na família ficavam sobre o armário do quarto do casal, para que as crianças não alcançassem. Certa vez a mulher resolveu sumir com a cinta, mas foi apenas uma única vez. Nunca mais ela se atreveu a esconder algo do marido. "Numa noite, eu tinha apanhado para defender meu irmão. E apanhei em dobro. Minha mãe ficou revoltada e no dia seguinte escondeu a cinta antes que meu pai voltasse pra casa. Mas ele chegou com o capeta no corpo e foi direto procurar aquele couro para descontar em uma vítima. Quando ele percebeu que alguém tinha tirado sua arma do local, trancou a porta do quarto com minha mãe dentro e só escutamos os gemidos de dor da mamãe. Ele sabia que só ela poderia ter alcançado aquela altura", conta Cariano, atualmente com 44 anos.

A fuga e a chegada ao purgatório

Até essa parte da narrativa, Vanda ou o irmão mais velho parecem os heróis dessa história, mas só no início. Quando Cassiano completou 14 anos, Vanda simplesmente fugiu de casa e um ano depois receberam a notícia que havia sido com o vizinho aposentado. O mesmo que cuidava de Cassiano quando ainda era bebê e a mãe não tinha tempo para olhá-lo. Claro que ela não pode ser sacrificada por ter tomado a atitude de sumir, em um surto de desespero não se pensa muito. Provavelmente foi uma reação irracional de momento, talvez de loucura. Mas o fato é que os filhos se viram ali, largados num fim de mundo, onde a vida era sempre a mesma, sem esperanças, sem alegria, sem nada, nem televisão. Apenas diante às iras do próprio pai.

No entanto, quando Cassiano completou 16 anos, seu irmão mais velho decidiu mudar o destino dos dois garotos e abandonar aquele passado obscuro. Então tomaram algumas caronas e pegaram poucos ônibus. Afinal eles tinham que economizar o resto de dinheiro que haviam guardado durante aqueles anos de trabalho nas colheitas em fazendas da região de Formosa.

No final de Novembro de 1986 os dois rapazes chegaram a São Paulo. Cidade grande, muitas pessoas, todo tipo de gente, sujeira e muito barulho. Essa foi a primeira impressão dos dois quando aqui desembarcaram. Nascia aí o herói dentro de Cassiano e morria o do irmão.

Na capital brasileira do trabalho, cada um tomou seu rumo. Inicialmente assustados, começaram a procurar emprego juntos, mas logo se separaram. Cariano se envolveu com quem não devia, e seguiu seu rumo pelo caminho mais fácil. Conheceu um rapaz que o apresentou às drogas e ao vício. Tornou-se assim um dependente do álcool e das drogas e posteriormente um criminoso. Mas vale ressaltar que atualmente tenta mudar seu destino.

Cassiano, no entanto, escolheu bem seu primeiro e talvez, como ele próprio diz, único amigo. Logo conheceu um jeito de ganhar um pouco de dinheiro e de maneira legal. Aproveitava para limpar o que podia da sujeira dos outros. Sua principal influência e companheiro foi João de Deus, um carioca de bem com a vida, catador de latas e morador de rua. Na verdade João era o nome verdadeiro do desabrigado, enquanto que seu sobrenome não era "de Deus". Esse era apenas um apelido em referência ao político e jornalista João de Deus, que na época dirigia a facção "Movimento de Unidade Trabalhista" no Rio de Janeiro, e que o João "da rua" tanto admirava e comentava. Segundo Cassiano, sua atual situação se deve a Deus ou a João. Talvez para ele sejam a mesma pessoa.

A sobrevivência de um herói

Com seu amigo, Cassiano conheceu algumas manhas que precisava para convencer cobradores de ônibus para que pudesse se locomover sem ter que pagar, ou como pedir esmolas quando o duro trabalho pouco rendia e até como lidar com as mulheres com quem se envolviam. "Infelizmente João de Deus já morreu. Aconteceu em 2002, quando ele tinha 62 anos. Ele poderia contar um pouco mais dos sofrimentos que passamos juntos. Apesar de mais velho, ele tinha uma boa memória", contou Cassiano. Segundo ele, o laudo médico sobre a morte de João foi pneumonia, mas o motivo principal teria sido de desgosto ao ver o filho preso por tráfico de drogas.

Assim, nosso herói aprendeu a se virar e a sobreviver nessa selva de pedras. Passou por inúmeras dificuldades, mas sempre lutando para vencer. Inicialmente viu no lixo uma maneira de arrecadar o suficiente para se alimentar e montar seu próprio barraco em uma favela da M"boi Mirim. "Cheguei aqui e percebi como tinha sujeira para todo lado. Descobri que essa poluição poderia render alguns lucros e então me motivei a catar latas, garrafas, papelão e tudo quanto é coisa reciclável", contou Cassiano.

Mas além de ganhar uma grana, mesmo que pouca, foi uma maneira que encontrou para limpar a cidade onde mora. "Sinceramente, no começo torcia para que a produção de lixo continuasse. Era uma forma de me sustentar e ajudar outras milhares de pessoas. Só que hoje tenho outras fontes de renda e meu grande objetivo é ajudar a limpar essa cidade", exclamou o catador e dono de um bar no bairro de Santo Amaro, e continuou " "Só quem mora na rua e foi catador pra saber como tem lixo nessa cidade, como as pessoas não respeitam o próximo. Hoje eu sei que quanto mais sujeira, mais doenças proliferam", lamentou.

Cassiano demorou exatamente oito anos para conseguir montar seu próprio bar e agora que possui uma renda estável, tenta ajudar como pode na limpeza da cidade. "Hoje, ainda ajuda a catar entulhos, porém não recebo muito em troca. Oriento aqueles que precisam dessa renda. Mas no meu bar tenho lixos separados para latas de alumínio, plástico, papel, vidro e comida", se orgulha o herói.

Projetos para o futuro: Paraíso

Todo o passado de Cassiano é importante por tê-lo tornado a pessoa que é hoje. "Cara, quando olho pro passado e lembro dos meus familiares, eu sei exatamente o que não quero e não devo ser" e continua "infelizmente eles foram um péssimo exemplo, mas talvez se não tivesse convivido com esse tipo de pessoa, teria me tornado uma delas por ser mais fácil e cômodo".

Mesmo se sacrificando e ganhando misérias catando sujeiras pelas ruas de São Paulo, ele nunca desistiu de ter uma vida digna. Oliveira não gosta de falar em valores, mas sempre deixa claro que ganhou muito pouco fazendo esse trabalho. "Lixo tem um monte por aí. O problema é que ninguém quer pagar por ele". Seus dias, enquanto catador de entulhos, se resumem em acumular uma determinada quantidade para depois vende-las a empresas de reciclagem, desde particulares e governamentais até as ONG"s.

Mas graças a muito esforço e dedicação, Cassiano conseguiu montar seu próprio negócio através da sujeira dos outros e dele mesmo. E seu sonho não para por aí! Ele espera uma oportunidade para criar uma empresa de reciclagem e ainda gerar emprego. Só que para isso, depende da ajuda de pessoas que também tenham como ideal, o bem-estar da população, sendo o lucro uma conseqüência. "Primeiro, para abrir uma empresa é preciso dinheiro e também quem entenda de "direito" e coisas do tipo. Segundo que a pessoa teria de entender como tratar com outras empresas e com serviços públicos," lamenta Oliveira. Mas esse é um projeto que ele pretende levar a diante. Segundo ele, um empresário conhecido seu, teria interesse em criar uma empresa de reciclagem. "Seu Castro é dono de uma empresa de latas de alumínio aqui em Santo Amaro e gostou da idéia. Ele sempre me ajuda separando latas para mim. É a única pessoa em quem eu confiaria, sem contar que ele tem grana e conhece bem assuntos comerciais e industriais", comemora Oliveira, com um olhar de esperança.

Todos os dias, Cassiano acorda às 4 horas da manhã, abre seu bar às 5 para atender trabalhadores que tomam café antes de trabalhar. Às 9 horas deixa o bar na responsabilidade de uma vizinha, e vai para as ruas recolher materiais recicláveis. No começo da noite ele retorna a sua simples casa, mesmo não parecendo um lar, ele faz questão de chamá-la assim. Quando chega, volta ao bar para servir bebidas para aqueles que retornam do trabalho e não tem tempo ou condição para cozinhar. "Jamais vou muito longe catar sujeira, porque depois não tenho como voltar para casa com a carroça cheia e pesada", conta o herói. Carroça é uma tábua de madeira, rodeada de papelão formando algo parecido com uma caixa, mas sem tampa e de rodas. Só que a mula, animal, que puxa a carroça, é ele mesmo.

Esse é sua luta diária pela sua vida menos indigna que pretende torna-la digna criando uma empresa de reciclagem e coleta. Experimentou uma vida dantesca. Conheceu o inferno, vive o purgatório e pretende alcançar o paraíso ainda vivo. Entendam paraíso simplesmente como felicidade para alguém que tanto sofreu e não um local divino ou o bairro de São Paulo. Felizmente, ninguém é igual, mas se ao menos existissem mais algumas pessoas como o Cassiano Oliveira, talvez teríamos menos sofrimento nas ruas de São Paulo e não a veríamos como um inferno.


" João Luiz D"Andrea (joaoluizdandrea@gmail.com), 21 anos, é estudante de Comunicação Social da UniFiamFaam cursando o sétimo semestre de jornalismo. Há um ano e dois meses escreve mensalmente para um jornal de bairro do Morumbi e há quatro meses trabalha no Grupo Bandeirantes de comunicação na produção do Jornal da Noite. Seu maior sonho é voltar a morar na Itália e talvez jogar tudo pro alto.

*** Texto produzido para a disciplina de Jornalismo Literário, sob orientação da Profª Drª Monica Martinez



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