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Desde: 06/12/2001      Publicadas: 4183      Atualização: 26/09/2007

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  23/08/2007
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UM COMPUTADOR ALOPRADO

Crônica do Prof. Edgard

UM COMPUTADOR ALOPRADO
Não há como negar, nem o meu computador agüenta mais. Comecei a escrever este texto há menos de dez minutos. Já estava para lá da metade e quase havia dito tudo o quanto já disse centenas de vezes neste mesmo espaço quando a máquina, como se fosse um daqueles políticos insuportáveis que todos conhecem, abruptamente colocou um aviso na telinha alertando que, um certo problema, bem na rebimboca da parafuseta, determinaria o fechamento da sessão.

Apesar do meu espanto, nada mais disse, nem mais escreveu; ponto final. Parecia o Brasil, nem ia, nem vinha. Tudo parou como se fosse o auge de uma enorme vaia.
Impactado e estático me senti um presidente diante de um Maracanã lotado. Como sempre, não sabia onde mexer, onde clicar, com medo até de respirar. São demais os perigos da informática.

Na seqüência, ainda apareceu outro aviso na tela do monitor perguntando o que eu queria fazer: desligar? Salvar? Recomeçar? Reinicializar o sistema? Eu só clicaria se tivesse o verbo morrer. Cheguei a pensar que, para variar, a máquina, a censura, o sistema ou sei lá o que, ou por ordem de quem, estavam censurando os meus pensamentos.

Superado o mau momento rezei dois "padre-nossos", dez "ave-marias", dois "crem-deus-padre" e voltei a respirar.

A atitude seguinte foi engrossar a grande vaia contra mim mesmo: "Idiota, você não aprendeu que tudo na vida é preciso salvar? Escreva e salve, escreva e salve, escreva e salve". Agora me salvo salvando. O texto antigo não teve a mesma sorte e deve estar perdido num banco de vagas lembranças.

Cavocando a minha memória me lembrei que tinha iniciado a coluna tentando alertar meus ilustres leitores e eventuais eleitores ou detratores, dessa miséria que está por aí no meu país.

Eu tentava avisar que evitassem ler a crônica de hoje. Porque, exatamente como a última, a penúltima, a ante-penúltima, a ante-ante-penúltima e todas aquelas já publicadas, falavam as mesmas coisas.

E que esta crônica iria falar dessas mesmas coisas, uma vez que as coisas continuam iguais, como iguais já eram coisas de antes no quartel do Abrantes.

Iria falar que o Renan continua lá, impassível e incorrigível. Que o precioso, dengoso, orgulhoso, presunçoso e arrogante Marco Aurélio, o assessor top-top-top do companheiro metalúrgico também continua.

Também continua o não menos arrotante e ex-aloprado, assim referido por sua excelência, o presidente, um tal Berzoini, que comanda o PT. Que o Zé Dirceu fala em voltar. Tem listas e mais listas de cautos e incautos à sua volta, pedindo essa volta.
Não se tem notícias do grooving, nem dos boxeadores cubanos, hermanos que acreditaram na porta da liberdade que, conforme sonhavam, o Brasil lhes ofereceria.
Os aviões continuam no ar, ainda sem saber onde descer, se é que já subiram.
O atraso é o de sempre, pois não se descobriu a fórmula correta de se culpar os pilotos pela queda do Airbus.

Nem se sabe em quem jogar a culpa pela queda do avião da Gol. A Polícia Federal continua prendendo gente perigosa que a boa injustiça vai libertar.

Realmente, não há computador que agüente escrever tanta coisa repetida. Deu-se com o meu, que pirou. E me danou. Fico me repetindo me repetindo e me repetindo, falando dos malucos e insensatos fatos brasileiros.

Sei que não deveria repetir só que esse é o meu ofício: lembrar, lembrar, lembrar para ver se alguém se lembra e não se esqueça que é preciso mudar. Isto posto, queria apontar uma única novidade: numa investida audaciosa e quase descabida, a administração da minha Atibaia, cidade onde moro, decidiu combater os buracos de algumas ruas.

Numa arremetida heróica, transformaram quase todos os buracos, as ranhuras, os groovings em pequenas, grandes ou enormes saliências, autênticos montes ou montinhos de piche da melhor qualidade. Talvez tenha sido culpa da máquina de nivelar ou compactar o pavimento, possivelmente tão alienada e descontrolada quanto o meu
computador.

Obraram um "pig´s service" da melhor qualidade.

Vivo uma enorme e verdadeira emoção cada vez que passo por esses montinhos. Os amortecedores do meu carro ficam tão amortecidos como eleitores na hora do voto.
Essa é a grande e única novidade.

E não é pouca coisa: assaltaram, impunemente, os buracos lá onde eu moro.

Prof. Edgard de Oliveira Barros



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