
Quem pretende estudar fora depois de formado com a expectativa de voltar e encontrar as empresas de portas abertas, ansiosas à sua espera, e oferecendo o dobro do salário que você ganhava antes, melhor ficar quietinho em terras brasileiras mesmo. "É uma ilusão pensar que haverá emprego disponível na volta", afirma Marisa da Silva, consultora do Career Center, empresa de assessoria em gestão de carreiras e desenvolvimento organizacional. O resultado de uma pós-graduação fora varia de acordo com a área, mas, para a maioria dos profissionais de qualquer setor, demora um tempo até que sejam reabsorvidos pelo mercado. "Leva em média nove meses para se reposicionarem", afirma Marisa.
Em termos pessoais, especialistas de todas as áreas concordam que é sempre positivo estudar no exterior. "Mesmo que o Brasil tenha se fortalecido em várias áreas e que hoje haja cursos de educação a distância, e a Internet proporcione uma grande troca entre comunidades de profissionais ao redor do mundo, o contato virtual não substitui a convivência cotidiana, que cria vínculos mais fortes. Como cidadão, uma vivência fora é essencial para aprender a valorizar o Brasil e até conhecê-lo melhor, com distanciamento", acredita Wanderley Codo, diretor do Departamento de Psicologia do Trabalho da UnB (Universidade de Brasília).
Mas, para a carreira, pode não ser tão vantajoso estudar fora. Depende de uma porção de variáveis. Primeiro: o mercado não quer alguém que só tenha conhecimento teórico. O melhor, então, é sair para um pós fora do país já com uma experiência razoável no mercado de trabalho aqui. Segundo Marisa, o ideal é depois de três anos de formado e atuando profissionalmente. "Pós-graduação é para quem já entende da área na qual atua e sabe exatamente em qual tema quer se aprimorar", diz a consultora. Uma dica esperta: pesquise as áreas dentro da sua profissão que estão em crescimento no Brasil e que ainda há carência de profissionais. Em segundo lugar, é preciso analisar que tipo de pós-graduação vai acrescentar mais: se uma especialização lato sensu, mestrado, doutorado, MBA... É interessante checar no MEC (Ministério da Educação) qual é o peso do curso aqui, porque nem sempre o mestrado lá fora é reconhecido como tal no Brasil. Terceiro: faz toda a diferença se você quer mudar de área, se a sua intenção é trabalhar no exterior depois da especialização, ou se você pretende seguir a carreira acadêmica. Há também que se avaliar o lugar para onde ir, se você vai conseguir se adaptar bem ao clima, ao tamanho da cidade...
Sabendo o que quer, e onde ir, é hora de pesquisar as instituições que fornecem bolsa, as faculdades brasileiras com convênio com faculdades no exterior, falar com gente que foi. Uma boa dica é a AIESEC (Associação de Estudantes Internacionais), o Orkut, que tem várias comunidades relacionadas ao tema, e o canal Estude no Exterior do Universia. E pegar o máximo de dicas possível para aproveitar da melhor maneira a sua experiência em terras estrangeiras. Dentro dessa avaliação geral, é preciso analisar a repercussão que um curso no exterior teria em sua área específica.
Fonte: Por Bárbara Semerene - Portal Universia, 30/03/2006
Imagem Ilustrativa: www.arqnet.pt
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