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Desde: 06/12/2001      Publicadas: 4183      Atualização: 26/09/2007

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  25/04/2007
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PARECIA A VIDA

Crônica do Prof. Edgard

PARECIA A VIDA A cada dia que passava, parecia que o despertador tocava cada vez mais cedo. Também parecia que eu dormia menos. Da mesma forma que parecia que meus olhos demoravam cada vez mais para abrir. A bem da verdade parecia que os pés, as pernas e o corpo igualmente estavam mais pesados. Olhando para o espelho parecia e aparecia aquela expressão cansada, aquele olhar fechado. Nada era leve, nem o sorriso. Parecia que o carro estava como eu, só iria pegar no tranco. Parecia que o rádio dava as mesmas notícias do ontem. Parecia que o trânsito estava pior que anteontem, parecia que o dia estava mais frio. Ou mais quente? Parece que eu nem lembro. Porque parecia tudo igualmente recorrente. As mesmas expressões, os mesmos tragos, estragos e afagos. Mecanicamente os acenos e ditos de bons dias, boas tardes, boas noites, com licença, passar bem, muito obrigado. Os problemas mudavam, mas parecia que a apatia era a mesma. Pessoas promissoras, pessoas desertoras, pessoas presentes de corpo e alma, pessoas sem alma, pessoas ali, só de corpo, pessoas inteligentes, mas indiferentes, pessoas ansiosas, mas pouco audaciosas, com muita calma e pouca palma. Pessoas a caráter e pessoas sem caráter. Pessoas na escola, pessoas no escritório, pessoas no nome, como um Epitácio Pessoa, ou um João Pessoa e pessoas sem nome e nem sobrenome. Pessoas da vida e pessoas sem vida. Parecia que a correria era tanta que chegava a adiantar os relógios. Parecia, nesse imbróglio, que os ponteiros digitais eram mexidos por analogia. Parecia que eu só tinha o direito de ter obrigações. Parecia que viver era uma questão de vida ou morte. O tempo todo passava tão depressa que parecia que toda hora era hora de trabalhar sem dormir. Parecia que nem tinha jornal nacional e a novela era só o que se via no dia-a-dia. Parecia tudo e eu, como ninguém, não via nada. Parecia que essa vida nunca passaria tão depressa. Parecia que não tinha fim, mas teve. Foi quando chegou o dia que parecia sexta-feira. Parecia que amanhã seria sábado e depois domingo. Sem segundas, sem terças nem quartas nem quintas. O dia que chegou parecia uma vida nova. Sem relógios, sem tempo, senhor sem hora. Ouvir os nunca percebidos barulhos naturais, ver as nuvens formando chuva, ver a chuva formando vida na terra, ouvir o canto e ver o vôo dos pássaros tão descontrolados pela natureza, saber que tem gente, mas só lá na frente e bem ausente e bem distante. Parecia que essa vida nunca chegaria tão depressa. Só parecia, pois ela chegou. Vida engraçada. Parece que a gente nunca sabe o que quer da vida. Tanto é que, agora, parece que já estou com saudade de tudo aquilo que parecia. Edgard de Oliveira Barros



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