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  24/10/2006
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O BRASIL É UM PAÍS DE ANALFABETOS CIENTÍFICOS

Uma resenha crítica sobre o artigo O papel educador do Jornalismo Científico, de Laura Barcha

O BRASIL É UM PAÍS DE ANALFABETOS CIENTÍFICOS Betty Vidigal O Brasil é um país de analfabetos científicos. O jornalista comprometido com a correção dessa falha na educação presta um serviço relevante, já que um país cientificamente alfabetizado tem leitores que participam como cidadãos e interferem nas decisões que lhes dizem respeito. O papel educador do Jornalismo Científico, artigo de Laura Barcha, fala da responsabilidade das editorias de Ciência e Tecnologia. O acesso à informação científica é um instrumento para a construção da cidadania " um direito que o leitor deve exigir. O jornalismo científico liga-se ao processo educativo e tem a função social de praticar a educação libertadora, como pregava Paulo Freire. A notícia é um produto, e a informação científica não pode fugir a essa regra. Nos bastidores da produção do noticiário de C&T movem-se, com freqüência, grandes interesses que manipulam a informação, o que é uma forma de opressão. Não só interesses financeiros, mas também pessoais, comerciais e políticos. Quanto melhor o jornalista puder avaliar a informação, distinguindo o que é realmente útil para os leitores, como cidadãos, melhor será o jornalismo praticado. São oprimidos todos os leitores manipulados pela mídia. É preciso perceber também que simplesmente fazer comunicados não é comunicar-se. Fazer comunicados oprime por meio de uma educação "bancária", ou seja, apenas faz depósitos: deposita informação para que seja arquivada e guardada pelo leitor. E a cultura só pode ser construída em ambiente de troca e convívio. O jornalismo científico foge ao padrão quem,o quê, onde, como, quando e por quê. O artigo concentra sua atenção na divulgação de C&T praticada pela revista Época, da editora Globo. Aponta o tratamento diferenciado dado às matérias sobre problemas de saúde que atingem personalidades olimpizadas pela mídia em detrimento de matérias sobre doenças que afligem uma parcela mais significativa da população. (Cabe aqui protestar contra o uso errôneo que cada vez mais se faz do verbo repercutir. Os assuntos não "são repercutidos nas páginas da revista", como diz o artigo, no primeiro parágrafo da pg. 45, mas sim repercutem nessas páginas. Assim como o som de um grito repercute nas montanhas, e não "é repercutido" nelas.) A pesquisadora constata que, de 34 matérias publicadas por Época sobre saúde, 21 foram informativas, 12 interpretativas e nenhuma foi opinativa. Justificadamente, ela aponta, dentre essas três categorias possíveis, a interpretativa como a melhor, do ponto de vista de educação. Uma das matérias, dentre as 34, era uma entrevista. Citando um parágrafo dessa análise: "Um exemplo é a matéria "Aposta de alto risco", publicada no dia 30 de julho de 2001, relatando o crescimento do número de mulheres portadoras do vírus HIV que decidem engravidar. Segundo a matéria, este é um "fenômeno silencioso" que está intrigando médicos especialistas em Aids, pois 43% das mulheres grávidas pesquisadas pela Fundação Merk sabiam que eram portadoras do vírus. Este seria um bom assunto de prestação de serviço e esclarecimento social, afinal, a pesquisa mostrou ainda que 17% dos bebês são contaminados no parto porque as mães não receberam AZT. Mas a matéria se limita a dados." O texto acima é um exemplo de imprecisão científica. É pouco provável que a revista mencionasse essas porcentagens sem citar quantas mulheres compunham o universo pesquisado, nem se esse universo foi composto apenas por soropositivas (o que parece mais provável) ou incluiu também grávidas não contaminadas. O leitor médio, não especialista no assunto, não sabe se o simples fato de receber AZT é garantia de que a mãe contaminada pelo vírus não transmita a doença ao bebê ou se apenas reduz a probabilidade de isso acontecer. O leitor que tomar a leitura ao pé da letra acreditará que 43% das mulheres grávidas tem Aids e não sabe disso; uma outra parcela tem e sabe que tem, e uma terceira parcela é soronegativa. Evidentemente, isso não corresponde à verdade, provavelmente nem mesmo nos países africanos, onde a doença está mais espalhada. O universo pesquisado pelo laboratório deve ter sido composto unicamente por mulheres contaminadas com o vírus " mas a autora do artigo não nos informa isso. Laura Bacha divide as matérias científicas em educadoras, não educadoras e intermediárias, de acordo com seu grau de clareza, precisão e questionamento. Considera que o texto interpretativo é o melhor, como instrumento educativo, por ter mais qualidades de aprofundamento e questionamento. O texto de divulgação científica deve primar pela clareza, usando linguagem simples, porque mesmo nas classes A e B o fato de uma pessoa ter nível superior não garante que entenda de assuntos fora de sua área de formação. Analisando as matérias publicadas em Época no período de junho de 2001 a julho de 2002, a autora considera como educadoras dezesseis matérias dentre as publicadas, sendo oito informativas, sete interpretativas e uma entrevista; não-educadoras doze matérias, duas interpretativas e dez informativas; e intermediárias sete, sendo três interpretativas e quatro informativas. Nada no artigo nos mostra qual foi o critério utilizado para essa classificação. Afinal, não se trata de uma avaliação que possa ser feita de modo totalmente objetivo e inquestionável. A autora do artigo conclui que os órgãos de informação e comunicação só podem informar corretamente se tiverem em seus quadros especialistas em divulgação científica. Se esse especialista for comprometido com a educação, suas pautas serão instrumentos de formação social.



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