
O segundo painel "Poder e Jornalismo na América Latina" do Fórum Folha de Jornalismo, realizado no dia 10 de maio, no Teatro Fecomércio em São Paulo, contou com a presença de grandes nomes do jornalismo latino- americano, com mediação da colunista da Folha de S.Paulo, Eliane Cantanhêde .
O escritor peruano Álvaro Vargas Llosa abriu a palestra dizendo que a relação entre a mídia e o poder é traumática e que a maioria dos cidadãos latino-americanos vive sem o direito da liberdade de expressão. "Qualifico isso como ausência de um Estado de direito pleno na América Latina", afirmou.
Cerca de 300 jornalistas latino-americanos foram assassinados nos últimos anos na região e 95% dos assassinos estão impunes. Cuba é o 2º país do mundo em termos de ausência de liberdade de expressão. Países como o México possuem leis impecáveis que priorizam a liberdade.
Vargas crê que "o populismo é incompatível com pleno exercício da liberdade de expressão e põe em inferioridade as pessoas".
O venezuelano Boris Muñoz, editor-chefe da revista venezuelana "Nueva Sociedad" também compartilhou sua opinião com Vargas. Segundo ele, o presidente Hugo Chávez impõe restrições a mídia venezuelana. O jornalista lembrou o caso do assassinato de um fotógrafo do El Mundo, que foi baleado por policiais durante um protesto na capital Caracas.
Já o argentino Andrés Oppenheimer, colunista do jornal americano Miami Herald, ressaltou a prepotência do Estado contra a imprensa. "É um fenômeno velho e ao mesmo tempo novo", disse.
Oppenheimer lamentou a decadência dos jornais impressos no mundo. A circulação caiu 2,5 % no último ano. "Os jornais estão perdendo importância, porque as notícias estão sendo banalizadas, principalmente nos EUA. Isto é um caos", afirmou. Ele fez elogios à imprensa peruana.
Segundo o colunista do Miami Herald, para tornar a imprensa latino-americana mais importante é necessária a colocação na agenda política de grandes temas que não são publicados, como por exemplo o livre comércio.
O público participou enviando perguntas em escrito à mediadora, Eliane Cantanhêde. Numa das selecionadas foi questionada a criação do Conselho Federal de Jornalismo que em 2004, o presidente Lula ameaçou pôr em vigor no Brasil. Vargas afirmou que fica arrepiado quando vê ameaças de se criar estes Conselhos e que gostaria que fossem cumpridos pelo Estado de direito. "Conselhos tendem-se a perverter", declarou.
Imagem Ilustrativa: www.monover.com
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