
A "Mesa 4 " Debate: "Os limites da reportagem"", contava com Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, como mediador e outros três convidados estrangeiros. Caso da jornalista colombiana Maria Teresa Ronderos, o peruano Ricardo Uceda e, completando a mesa, o jornalista Robert Fisk, da Inglaterra.
Maria Ronderos falou do medo como forma de limitar uma reportagem. Ela contou a história de um traficante influente, "culto, narcotraficante, pacifista, por mais paradoxal que isso possa parecer. Mas ele não era uma "Madre Tereza de Calcutá", também decretava algumas mortes junto com outros líderes narcotraficantes", contava Maria. Esse traficante fez um seqüestro político, em troca da não extradição de narcotraficantes colombianos, para serem julgados nos Estados Unidos. Nesse caso a mídia serviu aos interesses da política. "O pavor da grande mídia é ficar sozinha. Não se provoca os grandes, cobrir caso de corrupção no interior é fácil", afirmou Ronderos.
Ricardo Uceda é peruano e atualmente é diretor do Instituto Imprensa e Sociedade, do Peru, também fez as mais importantes investigações do jornalismo peruano. "Sempre é possível nos equivocar, hoje sabemos que Judas não era traidor, era outra coisa", contou Ricardo. "As principais limitações se restringem à notícia", disse ele. O jornalista acredita que "Há uma pobreza humanística nos estudantes de jornalismo". "Não precisa de muitos recursos para fazer uma pesquisa, vai do interesse do jovem jornalista", afirmou Uceda.
O correspondente internacional, Robert Fisk, é especializado em Oriente Médio. Atualmente é correspondente internacional do jornal londrino The Independent" em Beirute. "Nós, correspondentes estrangeiros, costumamos achar primeiramente as testemunhas e sermos independente delas. Mas a melhor definição é falar sobre política em todos os âmbitos", confessou Robert Fisk. "Para nós, essa pergunta "por quê" é como se fosse proibida", comenta o inglês sobre as zonas de conflito. Exemplificou perfeitamente como a imprensa pode manipular e determinar de forma extremamente maniqueísta quem é do time do bem ou do mal.
"O Bin Laden me transformou num racista. Numa viagem de avião, combinei com uma aeromoça de acharmos pessoas feias, que nos incomodassem e com cara de suspeitos. Eu achei 13 pessoas, ela 14, a lista era exatamente a mesma, só que com um a mais. Eram todos árabes! O ataque as torres gêmeas, não foi uma guerra declarada entre duas nações. O Bin Laden colocou inocente contra inocente", acusou Fisk.
"A relação entre o presidente estadunidense e os jornalistas é estranha. Reparem que as matérias sempre saem assim (pegou alguns jornais ianques e apontou) "oficiais americanos disseram", o outro diz "vários oficiais americanos disseram", "os americanos disseram". "Os americanos" adorariam que nós saíssemos para não retratarmos os massacres contra famílias", reclamou Robert. "Os insurgentes são o exército na Iraque", comentou ele, que não são simples civis como nos mostram.
"Cada vez mais escrevemos como as agências, 50% pra cada lado. Eu tenho de fazer a matéria do mesmo jeito que escrevo uma carta para um amigo", acusou Fisk, o marasmo no jornalismo. "Muitos civis iraquianos aceitam os moldes da democracia ocidental, mas eles querem liberdade de nós!", argumentou ele.
Quando foram perguntados "o que vocês acham do jornalismo gonzo (estilo de narrativa na qual o jornalista se mistura com a ação) como forma de burlar os limites da reportegem?", Robert Fisk perguntou o que era (provável problema na tradução simultânea), o mediador Fernando Rodrigues disse que era por causa de um tal de Thompson que morreu, mas Robert havia entrevistado esse Thompson há uma semana. Dois dos convidados terminaram por falar do auto-limite. "Eu gosto dele e do estilo dele. Na Inglaterra, a imprensa se tornou a oposição política", concluiu Fisk. "Sempre houve a mesma censura, principalmente a auto-censura, não por medo do governo, mas dos narcotraficantes", arrematou Maria Teresa.
Ricardo Uceda contou uma história de uma gafe profissional e arrematou: "Cometer erro não é ser desonesto".
Imagem Ilustrativa: slothsam.blogger.com.br
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