
Como atrair os jovens para os jornais? É o eterno debate que agita os editores de imprensa, que vêem seu público envelhecer ano a ano. Embora digam gostar dos jornais, são raros os jovens que se dão ao trabalho de comprar um cotidiano. O número de leitores da imprensa cotidiana francesa passou de 9 milhões em 1994 para 8,56 milhões em 2004, ou seja, uma queda de 2,3%. Essa queda é de 8,5% para a faixa de 15 a 24 anos e de 7,2% para a de 25 a 34 anos.
Os leitores dos jornais regionais também envelhecem. Segundo uma pesquisa realizada na primavera passada pela BVA, para os jovens as principais fontes de informação são a televisão (68%), a internet (17%) e o rádio (13%); a imprensa escrita representa apenas 1%. Dos 8,5 milhões de franceses entre 15 e 25 anos, 78% utilizam a internet (6,6 milhões), indica por sua vez o estudo "MSN Conso des médias" de 2004. É uma geração da tela, com a televisão, o computador, o telefone celular ou os videogames...
Os motivos dessa indiferença são muitos. "Ocorrem dois fenômenos de ruptura entre os jovens: uma modificação da relação com o tempo e com o dinheiro", constata Dominique Lévy, diretora do departamento de mídias da TNS Sofres.
"A relação com as notícias é diferente: esperar o telejornal das 20 horas ou a publicação de um jornal não é compatível com essa geração imediatista." Sua relação com o dinheiro também é diferente, e não somente a respeito das mídias.
"Os jornais são caros, e o orçamento dos jovens é solicitado por despesas crescentes em novidades na telefonia, jogos, etc.", explica Bernard Spitz, conselheiro de Estado e presidente da BS Conseil. Em termos de informação, os jovens estão habituados a recebê-la gratuitamente na televisão, no rádio ou na internet. Daí o sucesso dos jornais gratuitos entre essa geração.
Números impiedosos
Os números são impiedosos para a imprensa paga: 35,9% dos leitores de "20 Minutes" e 30,2% dos de "Metro" têm entre 15 e 24 anos, contra 27,4% de "L'Equipe", 17,1% de "Le Figaro" e "Aujourd'hui", 17,1% de Le Monde, 13% de "Libération", 8,5% de "Le Figaro", segundo um estudo realizado por "20 Minutes" e GFK.
"Os gratuitos conquistam os jovens graças à sua acessibilidade física e em termos de conteúdo", salienta Franck Tirlot, co-fundador e diretor de publicação do jornal mensal (pago) "Citato", distribuído nas escolas.
Além disso, o número de pontos de venda de jornais não pára de diminuir. Outro motivo, e não dos menores, é que "os jornais são muitas vezes desconectados do leitor", critica François Dufour, fundador da Play Bac Presse, editora de jornais para crianças como "Le Petit Quotidien" e "L'Actu". Desde 1990 os poderes públicos organizam com o Centro de Ligação do Ensino com as Mídias da Informação (Clemi) a Semana da imprensa e da mídia nas escolas.
Mas um relatório de Bernard Spitz, enviado em outubro de 2004 ao ministro da Cultura e da Comunicação, Renaud Donnedieu de Vabres, ficou na gaveta. Suas propostas concretas (assinatura gratuita de um mês pelo 18º aniversário, abertura de bancas nas escolas...) nunca foram aplicadas, mas poderiam ser retomadas nos programas dos próximos presidenciáveis.
"Depois do primeiro turno da eleição presidencial de 2002, constatamos que os jornais estavam longe do alcance dos jovens", salienta Micheline Oerlemans, co-fundadora com Thierry Happe da Graines de Citoyens [Sementes de cidadãos], uma associação que lançou em 2004 as Bases da Imprensa Escrita e da Juventude.
Por sua vez, o OFUP, criado em 1974, que propõe aos estudantes ofertas de assinatura com condições vantajosas, constata "uma certa apreensão em relação à leitura", explica Philippe Charaix, presidente da OFUP.
Mas nem tudo está perdido. Se a indiferença dos jovens pelos jornais aumenta, suas relações com a imprensa continuam complexas, senão contraditórias. Quase um em cada dois jovens de 11 a 20 anos (47%) afirma ler uma ou duas revistas pelo menos uma vez por semana, segundo o instituto de medição de audiência Médiamétrie.
Além disso, os jovens ainda consideram os jornais os mais confiáveis em termos de informação, antes da televisão, do rádio e das outras mídias; 74% deles consideram necessário ler a imprensa para "compreender em profundidade o que acontece".
Sem esperar a hipotética ajuda dos poderes públicos, os editores de imprensa tomam iniciativas. O grupo Ouest-France criou um grupo de trabalho durante dois anos.
"A melhor maneira de tocar os jovens é se apoiar na proximidade e desenvolvê-la", estima Yvon Lechevestrier, chefe de serviço da Ouest-France, encarregado desse grupo com Jeanne-Emmanuelle Hutin. "Não vamos nos enganar pensando que vamos obrigatoriamente provocar um ato de compra. Mas é importante manter um elo com os jovens."
Os jornais também pensam em difundir informações pelo telefone celular. Le Monde aposta em seu site na internet, cujo público tornou-se consideravelmente mais jovem. "A indiferença dos jovens pelas mídias tradicionais não significa uma indiferença pelas marcas de imprensa", salienta Lévy.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves (do Le Monde)
Imagem Ilustrativa: www.canalkids.com.br
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