
Depois da matéria divulgada na Rede Globo sobre o caso de Suzane Richthofen, voltou a ser discutida a ética do jornalismo. A Globo agiu corretamente ao divulgar a matéria? Afinal o que é ética jornalística?
Para Anna Claudia dos Santos, 22, estudante de Jornalismo, a emissora foi ética "Realmente eu acho que a Rede Globo agiu de maneira ética ao divulgar as falas do advogado da Suzane orientando-a a mentir, por mais que naquele momento ele não estava sendo entrevistado. Porém, ele sabia que o microfone estava ligado. Então, ele deveria ter pensado duas vezes antes de abrir a boca", diz a estudante. "Afinal ele não é uma pessoa leiga, é um advogado, sabe das coisas, foi muito burro mesmo", esbraveja ela. "Ele quis usar o canal televisivo para promover a imagem da Suzane, mas não programou o que iria fazer antes. Por isso deu no que deu. Então realmente acredito que Globo agiu de forma correta ao mostrar todo aquela patifaria", completa Anna.
Segundo ela, "Ética é agir de forma coerente, respeitosa e, antes de tudo, sempre pensar quando fizer algo se boa parte da sociedade te condenaria."
Sobre a ética do jornalismo brasileiro de forma geral, a futura jornalista disse "Pelo pouco que conheço da imprensa brasileira, acredito que ela é ética sim. Lógico que tiveram alguns casos que mancharam a reputação, como o da Escola de Base, mas em boa parte das vezes acredito que a abordagem de determinados assuntos é feita com discernimento."
Selma Tronco, 20, também estudante de Jornalismo discorda. Segundo ela " A farsa de advogado e cliente sempre existiu, mas o problema é que essa foi transmitida e não muito bem contextualizada. Por isso eu acho que não foi ético pois a mídia antecipou um julgamento, e não é essa a sua função". Sobre o que é ética, a estudante cita o livro de Claudio Abramo, Regra do Jogo " o jornalismo e a ética do marceneiro, afirma que "A ética do jornalista é a ética do cidadão". "Não faça com os outros, o que você não quer que faça com você", completa Selma. Segundo a aluna, "No Brasil existe uma preocupação em ser ético, mas os interesses mercadológicos falam mais alto, e se sobrepõe aos interesses éticos"
"Ético não foi, mas acho que era um furo que a emissora não podia deixar de passar à sociedade, até porque não deixa de ser uma prestação de serviço.", disse Renato Silva, 18 anos também estudante de Jornalismo. Segundo ele, "Qualquer profissão prega pela ética, mas todo regra tem sua exceção. Se for assim, muitas notícias de relevância social deixariam de ser dadas." Para Renato, ética "é você respeitar de todas as formas seu colega de profissão, e ao mesmo tempo qualquer pessoa." Para o estudante, a imprensa no Brasil é ética pois "Não é tão comum um jornalista vasculhar a vida de ninguém. Hoje em dia á diversas maneiras de obter uma informação, como os blogs na internet. Não é mais necessário invadir a privacidade de ninguém."
Para a professora de português Ana Tereza Pinto de Oliveira, 57 anos "Se a Rede Globo, disse verbalmente que iria editar a matéria, como dizem os boatos por aí, ela não foi ética. Mas isso não isenta o advogado que também não foi nada ético", afirma a professora. Sobre o que é ser ético, Ana Tereza disse que "é agir de acordo com a verdade, com os compromisso firmados. Ser ético é agir para não prejudicar os outros, agir com princípios", finaliza a mestra.
Para ela a imprensa brasileira é ética "Claro que existe exceções como o caso da Escola de Base, que foi uma matéria mal apurada. Mas a imprensa brasileira não é deliberadamente anti-ética."
"Não assisto ao Fantástico, portanto não creio que possa ser referência do jornalismo. Soube apenas que o repórter deixou o microfone aberto e acabou gravando uma orientação técnica entre cliente e advogado. O que por si só já é um fato complicado, já que existe um sigilo profissional. E isto independentemente de quem seja ou de quem tenha feito, deve prevalecer", disse a historiadora Cecília Jorqueira, 36 anos. Segundo ela "Ética está intimamente ligada com a visão de mundo que as pessoas possuem, quer dizer como elas se enxergam, e como elas enxergam os outros. Diante disso torna-se atitudes e/ou posturas que devem ser coerentes com sua ação social, dito é, como a pessoa sempre inserida em algo maior, ou seja o coletivo."
Segundo a historiadora, "A imprensa brasileira apenas informa, os números de audiência estão acima de qualquer coisa, com raras exceções, as questões éticas nesse segmento são debatidas ou conduzidas com seriedade."
Imagem Ilustrativa: laredonda.blogspot.com
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