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Desde: 06/12/2001      Publicadas: 4182      Atualização: 26/09/2007

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  29/05/2007
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DE CRISTA CAÍDA

Crônica do Prof. Edgard

DE CRISTA CAÍDA
Briga de amor só poderia terminar, mesmo, do jeito que este caso terminou. Eu já sabia e até cansei de alertar minha mulher sobre as conseqüências do seu ato. Mas, mulher é fogo. Tem coisas que elas não entendem. Deixam se levar pela ilusão, sem nenhuma precaução e dá nisso.

Pois foi por pura insistência dela que eu entrei naquela parada. Chegou toda mole, como fazem as mulheres quando querem alguma coisa e me sugeriu: "Seria tão legal se a gente comprasse umas galinhas para colocar no quintal...".

Eu estava vendo um jogo do Corinthians e, para falar a verdade, nem pensei na resposta. Disse um: "É". Mas, fui tão distraído que não levei em conta a gravidade da situação.
Acontece que ela só precisava desse "é", por mais desprevenido que fosse. E aí, animou-se. "Umas galinhas aqui a gente vai ter ovos frescos todos os dias". Eu continuava no jogo. Nervoso, pois, para variar, as coisas não andavam bem para o Timão. Timinho sem vergonha.

Foi assim, ainda distraído, que eu disse o meu segundo "É!". Agora com um ponto de exclamação e tudo, para ver se o papo terminava. Não terminou. Dia seguinte ela pediu para uma vizinha que fosse atrás das galinhas. Eu continuava por fora e já nem lembrava mais do assunto das galinhas e nem do jogo. Afinal, para variar, o Corinthians tinha perdido.

E vieram as galinhas. Seis ou sete, nem lembro. No meio do bolo, um franguinho que começava a botar as asinhas de fora, quase galo querendo correr atrás das galinhas. Para meu espanto, veio também um galinho garnisé, definido pelo dicionário como um galináceo pequeno, de origem inglesa. Conheço essa raça. Garnisé é sangue ruim, mano,
galinho encrenqueiro e metido, aceso para tudo quanto é galinha.

Apesar do tamanho enfrenta qualquer galo. Nem conto o que gastei comprando arame para cerca, telhas para fazer um pequeno galinheiro, gente para fazer e um monte de problemas. O pior deles, no entanto, foi que o tal franguinho, mestiço de galo índio, já dava mostras de que nunca iria se bicar com o tal garnisé.

Não nego, passei a adorar aquilo tudo. Um encanto ouvir o garnisé cantando, não tinha preço. Os cantos seguidos, bem cedinho, à tarde, final do dia e quase madrugada me levavam para a minha infância nos sítios da vida onde vivi. A coisa incorporou em mim e eu não podia mais ficar sem aquilo. Danem-se os ovos.

Diabo é que o franguinho, que era mestiço de galo índio cresceu antes e além da conta. Também cantava bonito, disputando o seu canto com o canto do garnisé. Só quem já viveu isso pode imaginar a beleza desses momentos de se ouvir um galo cantar. Eu tinha dois.

Cantar por cantar nem seria o problema, desde que o franguinho, já galinho, não começasse a se insinuar mais forte para as galinhas, coisa que incomodava, e muito, o garnisé. Foi quando teve a primeira briga. O franguinho apanhou feio do garnisé, bichinho bravo e "marvado". Teve a segunda encrenca, mais uma tunda do garnisé sobre o franguinho.

Quando percebi, tinha mais briga e tão feias quanto essas lutas-livres que se vê na TV. De sair sangue. Lógica e naturalmente o nanico e o franguinho disputavam a grande honra de ser o galo do terreiro. Ainda tentei consertar mandando fazer uma nova cerca e arrumar mais galinhas para dividir entre os dois. Os ovos subiam mais que a inflação.

Meu consolo e meu prazer era o canto dos galos. Com cerca nova e tudo, porém, nada adiantou. O safado do garnisé deu para invadir o terreiro do galinho. E era bicada e pena voando para todo lado. Acho que todos sabem que o alvo das bicadas são as cristas, um quer quebrar a crista do outro. Pois não tem aquele dito popular que a gente fica de crista caída quando apanha? Pois é.

Encurtando a conversa, depois de muito apanhar, o galinho que era franguinho e ficou um galão pegou garnisé de jeito. Dia destes encontrei o garnisé caído, escondidinho, murchinho, mortinho. Apanhou até morrer. E quem ficou de crista caída fui eu, tanta tristeza.

Acabei com o galinheiro.

Prof. Edgard de Oliveira Barros



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