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Desde: 06/12/2001      Publicadas: 4182      Atualização: 26/09/2007

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  18/08/2005
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CRÔNICA DO PROFESSOR EDGARD

"Salve-se quem puder"

CRÔNICA DO PROFESSOR EDGARDSaí do banco com o coração na mão. Ou, como dizem, chulamente, argentinos, paraguaios, uruguaios e otros hermanos sudamericanos, "sali com el culo en las manos". Tinha entrado Para atender a um chamadodeles, coisas de um tal Fundo 157. Como minhas finanças andam rasas, achei que indo ao fundo poderia resolvê-las.

Na verdade, sem saber, naquele momento estava batendo de frente com mais uma grande tapeação do terrível sistema financeiro brasileiro. Lá atrás, nem sei quantos anos faz, ao declarar meu Imposto de Renda, tive, como alternativa, a possibilidade de investir no tal Fundo 157, famoso e recomendadíssimo na época. Inclusive pelo dr. Delfim, esse mesmo, o Neto, ministro de uma porção de coisas e até da Fazenda quando do nosso estado de sítio.

Entre me iludir com a possibilidade de algum ganho e pagar tudo o que o governo me cobrava, e eu achava que não devia, para o Imposto de Renda, optei (epa! Esse negócio de optei já era, ta louco, sô, desconjuro!) decidi, agora sim, investir.

Diziam os marqueteiros e banqueiros (na verdade eu só falava com bancários) da época, o Fundo 157 era composto por ações de ótimo desempenho. Só não me prometeram o céu por saberem da minha vida de pecador suburbano e mundano. No purgatório eu já estaria garantido, desde que aplicasse no banco tal. Repito: entre dar para o governo gastar nos malotes da época e jogar meu dinheiro na boca dos tubarões, apliquei.

Não sei se viram, recentemente o tal Fundo foi notícia em tudo quanto é jornal. Alertaram que, vinte ou trinta anos depois, os fundos dos fundos estavam disponíveis. E eram bilhões. Corri pra ver.

A primeira decepção surgiu quando constatei que já não existiam mais nenhum daqueles bancos nos quais eu havia aplicado meu dinheiro em rota de fuga. Todos tinham sido devidamente incorporados. Se eu quisesse saber dos meus direitos, que procurasse os bancos tais e tais, atuais detentores e possuidores da minha grana.

Pensei: pô! se eu tivesse tomado uma grana emprestada desses bancos naquela época, por menor que fosse, coisa do tipo cem merréis, hoje eu estaria devendo as calças e, literalmente a cueca, devidamente preenchida com os dólares do PT. Logo, se eu apliquei então, o equivalente a um fusquinha da época, vinte anos depois deveria receber pelo menos um Mercedes Benz desses que conduzem o chanceler alemão, em Berlin. Ou o Rolls Royce que leva a rainha da Inglaterra. Na pior das hipóteses, o Omegão usado pelo Lula pra ir do Torto pro direito e do direito pro Torto (será que falei alguma bobagem ofensiva?).

Depois de me pedir o CIC, RG, exame de sangue, de feses, de urina e vacina contra a raiva, a moça do banco informou, assim na lata, que eu tinha direito a míseros 174 reais. E que, se quisesse receber, que saísse rápido, tirasse xérox de todos aqueles documentos citados, entregasse a ela e ficasse esperando o sistema decidir enviar, para o meu banco, o tão aguardado dinheiro.

Saí atordoado da agência bancária, correndo atrás de uma loja onde conseguiria os xerox tão necessário ou um arsenal daqueles que o Rambo se abastecia antes de ir buscar perdidos na noite do Vietnã. Eu não tinha palavras nem pensamentos, nem obras, nem coragem de me mover. A primeira pessoa com quem encontrei na rua, a caminho da xerox, foi um senhor apático, inteiramente sem expressão visual, vocal, pessoal, sem meias nos pés, mas com uma sandália de pescador e um monte de papeluchos nas mãos. Veio ao meu encontro e, sem mais delongas ou detalhes me entregou um papelucho impresso que dizia: "O que você vai fazer para ser salvo?".

Fiquei aterrorizado. Como diabos aquele homem tinha descoberto o meu plano incontido e decidido de explodir o banco, mandar o governo à merda e tirar o Brasil do mapa?

Prof. Edgard de Oliveira Barros
Imagem Ilustrativa: gea.bancaintesa.it/.../ Banco Ambrosiano2.JPG



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