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Desde: 06/12/2001      Publicadas: 4183      Atualização: 26/09/2007

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  03/04/2007
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CONFORME SE VIU NA TV - VERSÃO DOIS

Crônica do Prof. Edgard

CONFORME SE VIU NA TV - VERSÃO DOIS Era um desses jornais bem nacionais, que também, quando tem, dão notícias estaduais. O homem da TV falou, em off, que as maternidades locais de Maceió já estavam cheias, além da conta, de vidas novas e que nelas já não cabia mais nascer ninguém. Pelo menos momentaneamente. Haveria que se esperar que algumas dessas novas vidas, recém-chegadas por ali, crescessem e desaparecessem indo para as ruas, como manda a não tão santa madre igreja. Na tela da tv, como se fosse um espetáculo que beirava o absurdo, qual um texto de Ionesco, uma ambulância parou na frente de um nosocômio, um nojento mas apropriado nome que se dá para hospitais públicos ou privados muito avariados. A ambulância queria e tentava descarregar uma mulher tão grávida como o momento que atravessamos. Os enfermeiros, tão depreciativos, correram, ativos, para impedir que a mulher fosse deixada ali naquele delivery indesejável. Alegavam, como se estivessem gerenciando um estacionamento, que não havia vagas. Mesmo a pé foram longe demais informando que as vagas de todas as maternidades da capital alagoana já estavam como aquela: todas preenchidas, com bebês nascendo aos borbotões. Fato já devidamente constatado anteriormente pelo contristado condutor da ambulância que pedia a Deus que o árbitro apitasse logo o fim do jogo. Eis que a cena da TV se torna sólida e insólita: da ambulância desce um furibundo futuro pai que, num assomo de grandeza, como se fosse um povo organizado invadiu os portões da fortaleza pré e pós-natal e se pos a quebrar tudo o que encontrava pela frente. E nem era tanto porque, como sempre, tinha pouco. Apenas destruiu aos socos, pontapés e arremessos para o ar e para o chão, um resto de armário antigo onde certamente eram guardados os poucos frascos de remédios que já não existiam. Ultimamente, não se tem mesmo remédio para mais nada. Aí sim, os atendentes foram rápidos e rasteiros como exigem os santos mandamentos da ilegítima defesa. Dominaram o pai. Só que a indomável natureza exigia que a mãe pusesse para fora o bebê que já havia cumprido os nove meses regulamentares. Antes que a notícia ganhasse os ares da verdade diante das câmeras implacáveis da TV, a condoída e desesperada mãe foi levada para uma vaga inexistente. Foi assim que, talvez num canto tão triste e escondido nasceu mais um brasileiro. Certamente não precisou da palmada na bunda para chorar, já nascia apanhando. Eu, que estava olhando a TV sem nenhum compromisso, só para me divertir, acabei chorando. Chorando por ele. Por mim. Por nós. O momento merecia, por tamanha falta de vergonha. Edgard de Oliveira Barros



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