
Outro dia li um livro sobre automotivação que me deixou imensamente desmotivado. A causa? Os erros de português que apareceram às dezenas. Mas o livro cumpriu a finalidade: motivou-me a escrever um artigo sobre esses erros e também me motivou a refletir sobre o assunto. Daí pensei que a automotivação pode constituir uma forma de comunicação, que pode ser igualmente transmitida. E a maneira de transmiti-la é via comportamento. Acredito que sobretudo os professores precisam desenvolvê-la. Para começar, a automotivação significa estar motivado para a vida, ou seja, é o que nos faz buscar um melhor sentido da vida, é o motivo interior que nos leva à ação de fazer tudo da melhor forma possível, com prazer, com alegria, com emoção.
Nessa forma de ação, o entusiasmo é o componente-chave: do grego enthousiasmós, quer dizer "Deus em si". Ao agir, exteriorizamos uma força divina existente em nós. Quando colocamos entusiasmo nas palavras, uma força poderosa estará se projetando para fora de nós. No entanto, a automotivação não pode existir sem o autoconhecimento, que significa ter consciência de nós mesmos, ter percepção dos próprios sentimentos, de nossas potencialidades como ser humano, de conhecer o sentido da própria existência.
Por isso, é necessário que tenhamos sempre objetivos na vida; e ao estabelecê-los claramente em todos os planos, devemos determinar prazos para concretizá-los. Porque a maioria das pessoas vive em "estado de não-existência", ou seja, vivem mecanicamente, sem a mínima consciência de quem são, quais as suas crenças, seus valores, seus sonhos e planos. Enfim, acabam por não desfrutar os prazeres das pequenas coisas. Precisamos aprender a ressignificar a vida, isto é, descobrir o lado positivo, dando um novo significado aos acontecimentos do dia-a-dia. E o "hoje" deve sempre ser o dia mais precioso de nossa existência, pois nunca mais voltará. Ao dar um novo sentido à vida, vamos descobrir o poder da solidariedade, que nada mais é que a manifestação de amor pelo ser humano. Em suma, devemos procurar fazer felizes as pessoas que estiverem ao nosso redor. Como o professor pode desenvolver tudo isso? Simplesmente pela sua atitude perante os alunos. O professor automotivado faz da sua vida um momento singular, pois a vive com tamanha intensidade que aproveita cada momento. Tem consciência de que é o responsável pelas suas conquistas, pois acredita em si próprio. Ele sabe que faz a diferença. E pelo fato de agir dessa forma, transmite como que naturalmente aos alunos, talvez até sem perceber, toda essa paixão pela vida e, por extensão, pelo ensinar. É o professor que vai despertar neles a vontade de fazer, vencer e ser; é o professor que vai mostrar a potencialidade de cada um, vai tornar patentes a eles suas infindáveis possibilidades; é o professor que vai reafirmar que a vida tem um sentido e caberá a cada aluno descobrir o que o leva a estar aqui. Enfim, a arquitetura da automotivação é o labirinto de nós mesmos.
Fonte: Sérgio Simka - Revista Ensino Superior, Edição 91
Imagem Ilustrativa: carreiras.empregos.com.br
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