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 PROFESSORES DO UniFIAM FAAM

  13/02/2003
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MARCELLO ROLLEMBERG: "JORNALISMO É A MANEIRA MAIS RÁPIDA DE SE CHEGAR AO ENFARTE"

Professor Marcello Rollemberg faz balanço da carreira

MARCELLO  ROLLEMBERG: Uma frase de efeito que traduz a sensação de viver a conturbada rotina da vida de jornalista. Em entrevista, Marcello Rollemberg, jornalista há 20 anos, dissertou sobre as dificuldades e os benefícios de exercer a profissão.


Para compreender seu ponto de vista, faz-se necessário conhecer sua trajetória jornalística. Marcello, como ele mesmo diz, viveu uma "overdose" de Jornalismo no período de sete anos. Aos 23 anos, ingressou como repórter no jornal O Globo, que serviu de trampolim para o Jornal do Brasil, Revista Veja, Jornal da Tarde, Revista Isto É , Jornal Folha da Tarde e Revista 4Rodas.


Desde os 32 anos vem atuando na Divisão de Mídias Impressas da Coordenação de Comunicação Social da USP, como diretor de redação, sendo responsável pela Revista Espaço Aberto, Revista da USP e o Jornal da USP, com a tiragem de 20 mil exemplares. É necessário ressaltar que, a veiculação não se restringe ao Campus da Universidade na Capital (trata-se da maior universidade da América Latina), abrangendo todos os Campi do interior de São Paulo, bibliotecas e reitorias de universidades públicas, principais redações de jornais, TV e rádio de São Paulo e Rio de Janeiro, Ministério, Secretaria e Palácio do Governo. Além da mídia impressa, Rollemberg apresenta o programa "O olhar da USP", exibido no Canal Universitário.


É praxe que Jornalismo é uma profissão de muita responsabilidade. No entanto, ouvir os relatos e as opiniões daquele que a exerce com tanto empenho e paixão pode modificar o ponto de vista de quem não sente na pele o dia-a-dia de ser jornalista.


"Jornalismo é igual a Medicina. Não tem hora para acordar, dormir, trabalhar", desabafa Marcello. Ou se preferir, "Você é 24 horas profissional.", segundo ele. Através destas frases, Rollemberg resumiu a dedicação indispensável àqueles que querem ser bons profissionais. E a vida pessoal? Conforme Rollemberg, "em algum momento você abre mão da sua vida pessoal. É um amor, uma dedicação que você investe na sua vida profissional".


Assim como a dedicação é indispensável, a curiosidade é essencial. Querer saber mais aponta a atitude de quem realmente tem vocação para o Jornalismo. Em uma multidão, é fácil distinguir o jornalista das demais pessoas: nele existe um olhar diferenciado. "Nós temos que ter um olhar diferenciado. Nós não somos pessoas comuns: existe uma responsabilidade social muito grande de traduzir o mundo para quem não o conhece. Por isso, temos que ter esse olhar diferenciado, esse olhar destacado da multidão", afirma.


Na sua opinião e experiência, o que faz um jornalista "dar certo" é ter talento e sorte. "Você pode ser um ótimo jornalista e não ter sorte de encontrar uma matéria legal", coloca, ou "ter uma ótima matéria na mão e não saber escreve-la", termina.


É preciso saber diferenciar vocação e talento. O talento é nato, mas é a vocação o que realmente importa. Em nada adianta ter apenas talento, pois o mesmo é cômodo. A vocação é que impulsiona a procura do aperfeiçoamento contínuo, não sendo, portanto, cômoda. Dessa forma, ter talento sem vocação limita quem deseja ser jornalista.


"Querer fazer sempre bem feito é essencial", ressalta. Certamente, o Jornalismo exige dedicação, aprimoramento e, consequentemente, uma certa dose de perfeccionismo. Não há espaço para os erros; uma simples falha poderá significar um grande problema futuro. É preciso salientar que, uma profissão que exerce sobre a sociedade uma responsabilidade social acaba exercendo sobre o profissional uma sobrecarga de pressão, uma desmedida cobrança. "O Jornalismo é uma carreira carrasca", embora rígida, a afirmativa de Rollemberg demonstra a atribulação diária do jornalista.


A responsabilidade do Jornalismo está intrinsecamente ligada à sua capacidade de modificar e criar idéias, alterar o rumo normal dos acontecimentos. O jornalismo tem como base o senso crítico de tudo, visto que questionar é o vício deste profissional. A influência que o Jornalismo e seus meios de atuar junto ao grande público (mídia impressa, TV, rádio, Internet, entre outras) exercem, merecem especial atenção: não há lugar para que o superego se desenvolva. No entanto, assim como em todos os tipos de profissão, o Jornalismo desperta em seus seguidores a vontade de ter seu trabalho reconhecido " "existe o prazer de ver o seu nome assinado em uma matéria", mas deve-se atentar-se para que o reconhecimento seja destinado à um trabalho árduo, verídico, virtuoso.


Ao ser questionado sobre a vantagens e desvantagens econômicas da profissão, Rollemberg não vacila ao afirmar que a necessidade financeira não pode nunca superar o amor à profissão. Investir no crescimento cultural e na vivência de novos horizontes é primordial. Dessa forma, a prática da leitura é imprescindível, assim como qualquer forma de expressão cultural: cinema, teatro, música... "Tem que ler de bula de remédio a Fernando Pessoa", alerta.


Seja na leitura, nos hábitos culturais, pessoais ou profissionais, o profissional do Jornalismo não se permite ser preconceituoso. Formar um pré " conceito significa fechar-se para outras possibilidades e, automaticamente, não deixar fluir a relação entre os diferentes pontos-de-vista. O jornalista pratica antes de tudo a comunicação e, comunicar significa transmitir toda e qualquer informação.


Reter tais conhecimentos e visões sobre o Jornalismo somente foi possível depois de anos vivendo e revivendo momentos de dificuldades e felicitações. "É uma profissão de altos e baixos", relata. Minha razão de viver, de Samuel Wainer, é a leitura que Rollemberg indicaria, tendo em vista que o autor relata a criação da Última Hora e, sobretudo os altos e baixos da vida de jornalista.


Marcello Rollemberg dedica-se ao jornalismo, e atualmente reserva parte de seu tempo para dar aulas. Professor nas faculdades UniFIAM, UNIFIEO e ECA-USP. Ele atribui à sua nova rotina a necessidade de passar adiante o interesse pelo Jornalismo. "Ser professor de Jornalismo é uma decorrência de tudo que vivi. Poder passar lições de vida, compartilhar o prazer de ser jornalista... incutir em cada um a necessidade de se dar, antes de qualquer coisa. Essa necessidade de se doar à profissão", discorre. No entanto, a faculdade não substitui em momento algum a vivência. " Você nunca vai conseguir passar em sala de aula a sensação de ver um homem morto, por exemplo. De cobrir um tiroteio, um desabamento de terra num morro e ver o desespero de uma família que perdeu tudo."


Será, então, supérfluo cursar uma faculdade de Jornalismo? Segundo Rollemberg, a faculdade têm seu valor pois "fornece as ferramentas, permite ao aluno ter uma melhor formação cultural."


O que seria então o Jornalismo para aquele que dedicou mais que a metade de sua vida à profissão? Certamente, o Jornalismo significa uma paixão que, como qualquer sentimento soberano solicita dedicação, veneração, aprimoramento. Para Rollemberg, Jornalismo significou sua realização de vida... O Jornalismo permite um aprendizado de vida que talvez nenhuma outra profissão forneça. "Ser jornalista significou ter aprendido muito na vida. Ter visto a vida de várias formas que, se não fosse o Jornalismo, não teria visto."


Jornalismo é, antes de tudo, uma opção de vida.


  Autor:   (Michele Ugliano/ Thaise Vicente)


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