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 PROFESSORES DO UniFIAM FAAM

  10/05/2007
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DAR ÁGUA A QUEM TEM SEDE

Crônica do Prof. Edgard

DAR ÁGUA A QUEM TEM SEDE Se você está precisando de ajuda, vá para a internet. Não passa um dia sem que se receba um texto de auto-ajuda ou aqueles conselhos para se viver ou fazer tudo melhor. Se isso adianta, eu não sei. Minha única certeza é que, como diz o povo, conselho só é bom quando bate com tudo aquilo que a gente está pensando. Fora disso o conselho vira critica. Dia destes, por exemplo, alguém mandou um texto que ao invés de ajudar só complicou a minha cabeça. Pior, comprometeu um longo e penoso trabalho de recuperação que eu vinha desenvolvendo com uma mexeriqueira abandonada. Andava na pior, a infeliz. Carcomida, prestes a tombar ao primeiro vento. Redescobri a coitada sem querer e passei a usar todos os conhecimentos que não tenho da matéria. Externei meu carinho, minha pena e comecei a dar água para ela. Muita água. Colocava a mangueira no pé e iam litros e litros água. Para meu desalento o bendito texto que recebi falava de alguém que plantava árvores e, ao contrário de seus vizinhos, dava pouca água para elas beberem. Ele havia plantado uma porção de exemplares na mesma época que os outros fizeram. Os vizinhos regavam suas plantas, ele não. Segundo a mensagem, ao cabo de um bom tempo as árvores dos vizinhos estavam lindas e frondosas enquanto as árvores do sujeito da história do texto ainda estavam mirradinhas. Passou mais tempo e, para surpresa geral as árvores dos vizinhos, que eram regadas regularmente começaram a decair até à morte, enquanto as árvores do outro, que não bebiam nada, deram para se desenvolver e florir e tornaram-se grandiosas. No fim do texto, a lição de moral: só se consegue o melhor da vida depois de muito sofrimento. Em outras palavras, o sucesso só vem para os fortes capazes de enfrentar todos os desafios. As árvores que ganharam muita água enquanto cresciam perderam o vigor quando tiveram que sobreviver por elas mesmas pois não sabiam ir, com suas raízes, em busca da água tão necessária e dependiam só das chuvas. Enquanto isso as outras árvores, que desde pequenas tiveram que encontrar as suas soluções na própria terra seca e dura nunca dependeram de ninguém e foi por isso que sobreviveram. Achei muito bacana. Também penso que é o desafio que fortalece e empurra para dias melhores. A gente é o que a gente constrói. Quanto maiores forem as dificuldades, maior será a vitória. Aquela coisa de que não se deve dar o peixe mas ensinar a pescar. De alguma forma, penso eu, isso acontece com a gente e até com o país da gente. Quer queiram, quer não, pouco conquistamos e tudo ou quase tudo nos foi dado, desde a independência, libertação dos escravos, república, todos sabem, quase tudo. Alguns até acham que tudo isso foi muito bom pois nunca correu sangue nas nossas conquistas. Se me perdoam, e se é que me entendem, eu discordo. Continuo achando que simplesmente ganhamos. Claro que alguma luta e algum sacrifício de uns poucos. Talvez até por isso tenhamos tão poucos heróis para cultuar. O fato é que, diante do ensinamento do texto deixei de dar água para a minha árvore. Ela que se virasse até porque já tinha idade mais que suficiente para isso. Estava com ótima saúde, tanta água eu havia dado. Dia destes passei por ela e fiquei horrorizado: tinha voltado ao estágio quase terminal. Desesperado, corri buscar a mangueira, abri a torneira e joguei pelo menos uns dez minutos de água em sua raiz. Sua reação foi quase instantânea; seus galhos e folhas mostravam uma clara reação. Fiquei feliz, lógico. Em compensação acabei filosoficamente desnorteado. Não sei se deixo de acreditar nesses terríveis conceitos de auto-ajuda, tão freqüentes nas livrarias e nas mensagens da internet, se deixo de acreditar na teoria dos desafios diante da vida, ou se chego à conclusão de que todos os seres da natureza são absolutamente iguais e só precisam de atenção e carinho como é o meu caso e foi o caso da minha árvore.Neste exato momento, igualzinho à minha árvore, além de água estou pedindo conselhos. Prof. Edgard de Oliveira Barros



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