
"DDA". O que é isso? Será que é mais uma daquelas siglas de nomes de escolas de idiomas? Pode até ser que pensem que é o nome de uma empresa qualquer que venda espuminhas de fone de ouvido. Não. Não é nada disso. DDA (Desvio do Déficit de Atenção), também conhecido por TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), é um distúrbio que atinge adultos, crianças, mulheres e homens por todos os lugares do mundo.
Essa síndrome é caracterizada pela falta de concentração, impulsividade e hiperatividade ou excesso de energia. Pessoas de todas e quaisquer camadas sócio-econômicas, grupos étnicos, níveis de escolaridade e graus de inteligência estão sujeitas a "carregar" esse mal consigo.
Por fatores genéticos e ambientais, como, por exemplo, desentendimentos familiares, criminalidade dos pais, doença mental dos genitores e colocação da criança em lar adotivo podem levá-la a ser mais um indivíduo da lista dos portadores.
Como diz o médico psiquiatra, que atualmente trabalha para a Prefeitura de Florianópolis, Dr. Jaime Crespin, "não existe um tratamento 100% eficaz. O melhor é a associação de tratamento medicamentoso com abordagens psicossociais, como, por exemplo, a terapia cognitivo-comportamental." (Consiste em um tipo de terapia que foca a atenção na forma como a pessoa se comporta e na maneira como ela pensa).
Muitas pessoas podem chegar a entender que a hiperatividade e a falta de concentração são apenas "coisas da idade", no caso de crianças. Mas se isso não for diagnosticado, pode apresentar diversas conseqüências: um mau desempenho escolar, com repetências, prejuízo no relacionamento interpessoal, baixa auto-estima, e até mesmo dificuldade de inserção no mercado de trabalho.
Além disso, como há um grande número de comorbidades (transtornos que podem aparecer juntos ao TDAH, como o transtorno desafiador de oposição, de conduta, abuso de substâncias psicoativas, depressão, transtorno bipolar, de ansiedade, de tiques etc.), estas também ficariam sem tratamento, o que poderia levar até à dependência de substâncias e à criminalidade.
O estudante de direito da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Filipe N. diz sentir problemas para assistir aulas pois não consegue seguir o ritmo normal das pessoas. "Enquanto as pessoas têm uma freqüência normal de raciocínio, a gente tem oscilações drásticas onde nos conseguimos concentrar, ou literalmente temos um boom de energia cerebral e pensamos em várias coisas ao mesmo tempo."
Há alguns sintomas que podem identificar o indivíduo portador de DDA, como, por exemplo, falhas de memória, desorganização e tendência a perder objetos, "sonhar acordado" constantemente, ainda mais se for obrigado a ouvir, ler, estudar por obrigação, fácil distração e outros mais.
Apesar dos problemas que essa síndrome pode causar, existem também os prós desse distúrbio. Na maioria do tempo, a mente do sujeito é dispersa. Por outro lado, na minoria do tempo é capaz de se super-concentrar, o que torna esses indivíduos altamente criativos, tanto que este distúrbio é conhecido o mal dos gênios, pois foi diagnosticado em vários gênios de nossa história.
Mas, se feito o tratamento adequado, as pessoas são capazes de levar uma vida normal, sendo capaz de realizar suas tarefas sem maiores problemas.
Imagem Ilustrativa: www.laflecha.net/canales/ curiosidades/200410231/
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