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 AGENCIA DE NOTÍCIAS

  07/02/2006
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EDUCAÇÃO DE ADOLESCENTES DESAFIA OS PAIS

Há consumismo demais e espiritualidade de menos

EDUCAÇÃO DE ADOLESCENTES DESAFIA OS PAISGabriel, de 17 anos, não sabe, mas a sua mãe, Karina (nome fictício), o segue em shoppings, lan houses, cinemas, restaurantes. Faz questão de ser a motorista da turma, não importa se a balada acabar às 3 ou às 5 da manhã. O seu medo é que ele trapaceie, por mais que cumpra exatamente o combinado quanto aos locais e horários. "Até hoje, nunca aconteceu nada. O problema são os amigos", justifica-se Karina.
Entretanto, desconfiança e vigilância excessivas, como no caso acima, não são uma invasão de privacidade? Segundo o psiquiatra e escritor Içami Tiba, que acaba de lançar o livro "Adolescentes: Quem Ama, Educa!" (Integrare Editora), se o filho vai bem nos estudos, cumpre os horários estabelecidos pelos pais nos fins de semana, extrapolando vez ou outra na volta da baladas, não há porque projetar uma desgraça. "Já no caso oposto, se vai mal na escola, muda o comportamento em casa, não avisa onde está e os pais não tomam uma atitude, isso é negligência." Mas nem sempre os problemas são visíveis, e cabe à família ler nas entrelinhas. "Frases como: fulano fumou maconha ou bebeu demais, fulana 'ficou' com alguém, enquanto o filho ou filha nega de pés juntos que jamais fez tais coisas, pode significar que ele ou ela esteja andando com amigos que usam drogas ou bebem", alerta o psiquiatra.

PAPÉIS DEFINIDOS - Embora em seu consultório alguns pais se autoproclamem os melhores amigos dos filhos, eles não podem confundir os papéis, sob risco de perder a autoridade na hora de cobrar uma atitude que reprovam. Sobre horários, o que pode e o que não pode, os pais devem ponderar e chegar a um acordo mútuo sobre a melhor forma de resolver impasses. "Em geral, a mãe cuida do bem-estar do filho e joga a segurança para o pai, mas deveriam pensar juntos, como numa equipe", orienta Tiba, que destaca a importância de se estimular a responsabilidade desde a tenra infância, em pequenas coisas, como manter o quarto em ordem ou amarrar sozinho o cadarço do tênis.

Liberdade sim, mas com limites

Muitas mães gostariam de ter o emprego de Lucila Pinto. No seu programa "Tamanho Família", na "TV Cultura", a apresentadora recebe renomados educadores que debatem assuntos ligados ao universo infanto-juvenil. "Confesso que uso muitas dicas em casa." Segundo ela, não adianta tratar os adolescentes como bebês e nem fazer tudo o que pedem, porque, apesar do tamanho, eles não têm maturidade. Ela lembra, por exemplo, da vez em que Thomas, de 14 anos, pegou o seu carro novinho em folha escondido e bateu na garagem. "Foi uma coisa dura. Teve a repercussão financeira e, pior, a confiança foi traída." Além da bronca, o jovem teve de ajudar a pagar o conserto.

Tirando o episódio do carro, Lucila não tem do que reclamar, pois o filho cumpre à risca os combinados. "As baladas em casas noturnas são proibidas, assim como emendar programas. Ele só vai a festas em casas de amigos e em bufês que tenham a supervisão de adultos. Deixo que volte de táxi para mostrar que tem autonomia." Conversar, ser amigável - mas sem ser amiguinha -, se interessar pelo círculo de amizades do filho, segundo ela, ajuda e muito a lidar com essa fase. Para Thomas, a liberdade que tem está adequada à sua idade e é sinal de que a mãe confia nele. "Tem mãe que pega no pé o tempo inteiro e proíbe até de sair." Seu amigo Renato Braga, de 16 anos, na oitava série do Colégio Friburgo, diz que uma das preocupações da sua mãe é com o transporte. "Ela quer saber quem vai levar e quem vai trazer e, se for para sair com um amigo mais velho, de 18, 19 anos, que dirija, não deixa. Ela pega muito no pé com medo da violência." "Nós, pais, estamos atrapalhados", comenta Vivian Sparapani, mãe de Bruno, de 19 anos, e de Renato, de 12. Voluntária de trabalhos sociais no Colégio Santo Américo, escola dos filhos, ela ficou impressionada com o descaso dos adolescentes quando entrou na classe para falar de um programa que coordena de doação de livros. "Ninguém prestou a menor atenção."

LIMITES - Na sua opinião, há consumismo demais e espiritualidade de menos. "Por volta dos 17, 18 anos, os adolescentes começam a se sentir importantes e não estão amadurecidos. Hoje, há uma tendência perigosa nessa idade, que é a de experimentar bebida. Os pais devem impor limites." O filho mais velho, que já entrou na faculdade, conciliou trabalho e estudos durante um intercâmbio. Aprendeu a cozinhar, enfrentou novas responsabilidades e, por conseqüência, teve ganhos no amadurecimento.

O professor Márcio Tadeu Mendes, pai de Júlia, de 15 anos, estudante da oitava série do Colégio Carlitos, diz que não adianta vigiar os filhos. "Não somos onipresentes e, se quiserem, eles sabem burlar a vigilância dos pais." Hoje, continua ele, as famílias estão lidando com uma situação nova, bem diferente da vivida em suas adolescências, quando escola, amigos, festas, tudo se concentrava no próprio bairro. "Agora mora-se num bairro, estuda-se em outro, as festas são do outro lado da cidade. O jeito é contratar um taxista conhecido, fazer rodízio com outros pais ou hospedar a meninada em casa", fala o pai, que é acostumado a ter até cinco meninas dormindo em sua casa nos fins se semana.

Sua maior preocupação é com os riscos de uma gravidez precoce. "Hoje, a questão das drogas, bebidas e sexualidade, enfim, tudo acontece muito cedo." Segundo Júlia, os pais querem saber com quem ela sai, como vai voltar para casa e determinam um horário. "Eles sabem que estou bem, pois saio sempre com as mesmas amigas, um grupinho de oito que não se desgruda", responde Júlia.
  Autor:   (Por Vera Fiori - Portal Último Segundo)


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